terça-feira, 11 de agosto de 2009

E foram tantos beijos...


Ele entrou, de mansinho, debaixo de minhas cobertas e eu esperei que me tomasse pelos braços e enroscasse suas pernas em torno de minhas ancas. Procurei não abrir os olhos, pois ele não suportava que eu o fizesse. Não dei um sussurro e nem um gemido, pois sabia que ele se afastaria. Hoje ele estava mais carinhoso do que sempre e eu, mais desejosa do que nunca. Podia me comunicar com ele, mas só em pensamento. Não, só em delírio e onírico. Se eu usasse a razão, ele se desmancharia no ar. Meu mundo não existia sem ele que era a razão de meu viver. Mas só no meu viver delirante e onírico. Durante o dia, eu não tinha a menor idéia de quem ele era e nem lembrava dele. Mas a noite, ao adormecer, meu coração se acelerava e eu sabia que nós éramos como duas almas gêmeas. Nessa noite, ele veio e fizemos muito amor. E foram tantos beijos... Como eu me lembro disso? Ué, quando escrevo eu lembro de meus delírios.


Marisa Queiroz
agosto/2009

4 comentários:

  1. Marisa,
    Escrever nos salva. Vc. tem alma de poeta.
    SV

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  2. Gostei muito!!!
    Alice.

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  3. Oh, Marisa!
    Como é bom ter delírios oníricos assim!
    Escreve mais; escreve sempre para que lembres e contes para nós esses sonhos lindos.
    Beijinhos!
    Nando

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  4. Marisa, você, psicanalista usará espeto de pau? I hope not. Sua noite de amor foi a essência essencial de todo, de qualquer amor perfeito, o auto-erótico assumido, que dispensa o 'terceiro' de sua ópera particular. Parabéns! E continue feliz. Nós merecemos esta felicidade, depois de tantos equívocos.

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